terça-feira, 4 de junho de 2013

Primeiro contato com a leitura e escrita



  • APRESENTAÇÃO

    “A literatura desenvolve em nós a quota de humanidade na medida em que nos torna mais compreensivos e abertos para a natureza, a sociedade, o semelhante.”
    Antônio Cândido

    Nosso blog é constituído por um grupo de professores de matemática do interior paulista, pertencentes à Diretoria de Ensino de Adamantina, sendo parte integrante do programa de formação à distância de educadores, promovido pela Escola de Formação e Aperfeiçoamento para Professores (EFAP) em seu Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA).
    O objetivo desse curso de formação é a busca da qualidade do ensino, através da melhoria da gestão em sala de aula. O eixo norteador desta abordagem é o desenvolvimento da competência leitora e escritora dos alunos, a partir da contextualização dos conteúdos utilizando-se a diversidade de linguagens disponíveis como, por exemplo, histórias e notícias.
    A tecnologia apresenta-se como nossa aliada nessa batalha, pois segundo o jornalista Carlos Nepomuceno ao discorrer sobre a Web 2.0, temos à disposição a tecnologia que como um modelo aberto, introduz a bilateralidade na produção do conhecimento, através de uma troca constante entre professores e alunos, permitindo a modificação do pensamento. Diferentemente do modelo de livro que, sendo fechado, reproduz a unilateralidade na mera transmissão do conhecimento, não permitindo a modificação do pensamento, modelo este em que nossas escolas foram estruturadas.


    Convidamos todos a mergulhar conosco nesse universo, contribuindo com novas idéias e sugestões, para que nosso blog seja enriquecido com conhecimentos diversificados, permitindo a modificação constante do pensamento e a construção do conhecimento.

    POSTAGENS DOS COLABORADORES:

    1ª POSTAGEM DE PERFIL E DEPOIMENTO


    Sou Vanessa Gines dos Santos Oliveira, professora de Matemática na E.E. Osvaldo Martins de Osvaldo Cruz.
    • Para escrever este depoimento fiz uma grande viagem ao passado, lembrei-me de quando ainda não sabia ler e minha avó paterna (Dona Mariquinha) me ensinava orações e eu decorava com facilidade, daí surgiu uma grande sede de aprender ler e escrever.
    • Morava no sítio e quando fui matriculada no pré já estava no final do ano e mesmo assim a professora considerou que eu tinha condições de frequentar o 1º ano, foi uma emoção pra mim e toda a família.
    • Na quinta-série tive um professor muito especial (Wagner Pigozzi) que me inspirou literalmente, eu cheguei a ganhar um concurso de redação a nível regional.
    • Depois que terminei o Ensino Médio tive filhos e a leitura ficou em segundo plano na minha vida, mais dentro de mim havia uma insatisfação que não se calava.
    • Enfim chegou a oportunidade da Faculdade,conclui a Licenciatura plena em Matemática no ano de 2009, comecei a lecionar e a partir daí nunca mais vou parar de ler, escrever e aprender.
    • Fiz pós graduação em Matemática Pura na Unicamp e estou sempre aberta a novos horizontes para ampliar e edificar meus conhecimentos.
    • O depoimento da Clair que descobriu a paixão pela poesia, me fez acreditar que realmente nunca é tarde para a busca do conhecimento.



    2ª POSTAGEM DE PERFIL E DEPOIMENTO




    Profª Carla Cristina Petruzza Alexandre
    E.E. Dom Bosco     Osvaldo Cruz – SP           DE - Adamantina


     Recordando minha infância, me vem a lembrança de que como filha mais velha recebia muita cobrança por parte da minha mãe, sempre exigindo o melhor de mim. Já na 2ª série me levava à biblioteca para fazer pesquisas escolares. Tenho lembrança da minha primeira pesquisa, que foi sobre a “Embratel”. Já nessa época, sabia a tabuada, o que devo à minha avó materna que morava conosco.
     Quando cheguei à quinta série, tive muita dificuldade e acabei sendo reprovada por meio ponto em matemática. Mas essa experiência não me traumatizou, a contrário senso, impulsionou a me dedicar cada vez mais aos estudos.
     Chegando ao ensino médio, ainda sentia dificuldade em compreender o sentido dos conceitos matemáticos, e isso era algo que me intrigava, pois minha afinidade sempre fora com a leitura e a escrita. Assim, prestei vestibular para o curso de Direito, Licenciatura em Língua Portuguesa e Licenciatura em Matemática, optando por essa última, decidindo assim encarar o desafio de compreender essa ciência. Porém, quase 20 anos depois me formei em Direito.
     No início enfrentei muitos obstáculos, pois não é fácil sair de uma escola pública e entrar para uma universidade pública como a UNESP, mas com o tempo, superei grande parte dos obstáculos. Durante o curso havia disciplinas optativas, e sempre optei por disciplinas que envolvessem a leitura e a análise escrita, como a “História da Matemática”, buscando estabelecer relações e encontrar significados para os conteúdos estudados.

     Como docente, sempre procurei continuar estabelecendo essas relações, mostrando aos alunos o significado dos conceitos, quebrando a rigidez matemática, visando desmistificá-la e torná-la algo “natural” presente em nosso cotidiano.



    3ª POSTAGEM DE PERFIL E DEPOIMENTO



    CLEONICE FERREIRA DA SILVA (Cursista) 
    Irapuru-SP 

    Sou casada e tenho três filhos, moro em Irapuru, atualmente professora do ensino fundamental -Ciências e Matemática na escola estadual de Flórida Paulista-E.E.Percio Gomes Gonzales. Leciona a 25 anos na rede estadual. Formação - Pedagodia (Faculdade Tarso Dutra -Dracena); Ciências e Matemática (UNOESTE- P.Prudente).

    Experiência com leitura e escrita

    Tive uma infância pobre, num meio cultural muito limitado. Morava num sitio e não tinha acesso a livros, brinquedos, televisão, telefone, etc., mas os poucos amigos que ali moravam fizeram de minha infância um dos marcos importantes da minha história. O meu grupo de amigos se restringia a família e poucos amigos que ali moravam na vizinhança. Mas meu pai que nunca frequentou a escola, tinha um zelo especial pela nossa formação- educação. Foi um bom contador de história- usava suas experiências tristes de vida nordestina quando ainda era criança para nos entreter e nos instruir com regras de moral.
    Esse período da minha vida teve como referência três obras literárias: - O primeiro foi Expedições aos Martírios – Francisco Marins. O livro conta a busca das expedições por uma mina de ouro no Brasil.... A narrativa é rica em imaginação de viagens fantásticas, histórias de luta, tesouros desaparecidos, tribos ferozes, sertões desconhecidos, etc.
    O segundo: - Reinações de Narizinho – Monteiro Lobato (No ano de 1973- 5ª série). Uma leitura inesquecível, pois é uma literatura infantil muito prazerosa. Instiga a imaginação e sonhos.
    A terceira: - A Ilha Perdida- Maria José Dupré (No ano de 1975- 7ª série). Nessa faixa etária, no despertar para uma nova fase ainda existe a inocência, o desejo de aventura, e a necessidade de viver nossos sonhos, despertar (nos desafios) novas atitudes e viver momentos inesquecíveis. É exatamente assim que me sentia quando lia esse livro. A magia dessa obra é uma grande aliada para despertar o jovem para a leitura. Assim, minha experiência com baseadas nessas três obras, que guardo com muito carinho. Não sei bem como o meu pai adquiriu esse livro – Expedição aos Martírios- só sei que a leitura foi rica e prazerosa abrindo as portas da imaginação e tornando minha bagagem cultural riquíssima. Como morávamos no sitio, brincava muito entre as arvores, pescava num pequeno riacho que banhava o fundo do nosso pomar, recheado de pés de jabuticabas, mangueiras, laranjeiras e o meu favorito- um único pé de sete capote. Ainda sinto saudade desse local.
    Minha mãe, ainda hoje conta que eu me distanciava das crianças brincando e me distraia com os insetos, borboletas, passarinhos e até mesmo com as flores. Quando me indagavam o que estava fazendo a resposta era sempre a mesma, estava conversando com os amiguinhos. Nesse ambiente maravilhosos, uma criança só pode ser feliz, e eu imaginava todas as cenas, contos lidos nos livros, ou contados pela minha irmão mais velha, ou pelo meu pai. Quando era ele o contador de histórias, a noite era mágica. Pois esse momento se dava a luz de lamparina ou lampião e a cada ruído, especialmente o pio da coruja era estremecedor...
    Durante o dia me sentia o personagem principal de cada leitura, explorava cada canto e contava minhas histórias.
    Hoje, infelizmente não posso ser considerada uma assídua leitora de estórias. Porém, procuro suprir minha necessidade literária em pequenas leituras rápidas do dia-a-dia desde textos informativos a literaturas profissionais.
    Já a experiência com a escrita surgiu da necessidade de comunicação entre os colegas nas atividades lúdicas.
    Sendo eu uma das mais jovens do grupo com baixo desempenho nas competições me restava fazer as anotações dos jogos como: marcação da amarelinha, contagem de pontos do jogo de queima entre outras. As anotações eram feitas no solo, na areia usando gravetos para fazer os rabiscos, em tábuas usando carvão ou ainda em paredes de barro. Na parede também eram usados gravetos ou bastões de madeira para escrever ou desenhar- fazer marcas.
    Essa condição me aproximou da escrita e principalmente dos números de uma forma bem espontânea. Com a necessidade da alfabetização essas experiências foram moldadas e internalizadas dando suporte para o desenvolvimento da aprendizagem. As cobranças paternais para com minhas responsabilidades escolares foram fundamentais para a minha formação. O meu contato com a leitura e a escrita foram de responsabilidade do meu PAI.


    4ª POSTAGEM DE PERFIL E DEPOIMENTO

    Nome: Carlos Eduardo Cavalheiro

    Sou professor da E. E. Iraldo Antonio Martins de Toledo, em Inúbia Paulista, 34 anos, casado, dois filhos.

    Depoimento: Gosto muito de ler. Devido ao pouco tempo disponível, sempre leio mais de um livro por vez, vou intercalando as leituras. Adoro comprar livros, só não tenho tempo para lê-los e com isso fico com vários livros novos ainda na embalagem. Acho que o primeiro livro que mexeu comigo na infância foi o "Pequeno Príncipe", nunca achei que este livro tivesse sido escrito voltado para crianças, sempre o enxerguei como o próprio prefácio diz, "uma parábola". Outra grande paixão que tinha quando criança (tenho até hoje) são os gibis de bang-bang, tenho vários, alguns da década de 70. Não gosto de ler um bom livro sem indicar a alguém e, como diz um professor de matemática (meu irmão): "livro a gente não empresta, a gente lê e doa."

  • 3 comentários:

    1. A escrita é fundamental, tendo sido a maior invenção humana, pois veio possibilitar o registro e a transmissão do conhecimento. Para se apropriar da escrita o bom escritor deve ser um bom leitor, enxergando a possibilidade de se contar algo de forma diferente. A escrita depende de revisões sucessivas, sendo uma prática cultural que exige uma prática contínua.

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      1. Com certeza Carla e cada vez que nos vemos em contato com a leitura e a escrita, conhecemos algo de novo.
        Nunca sabemos o suficiente, estamos sempre em processo de aprendizagem.

        "A leitura torna o homem completo; a conversação torna-o ágil; e o escrever dá-lhe precisão".
        Francis Bacon

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    2. O mundo matemático da leitura, no meu conceito está na iterpretação de um problema, na organização e estruturação de um texto e em tantas outras formas de estudo.
      A matemática, a leitura e a escrita caminham de mãos dadas e fazem toda a diferença na formação de um cidadão crítico.

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